domingo, janeiro 14, 2007
Actualizações
Pois é, o pai tem andado muito ocupado, mas vou tentar fazer uma breve actualização dos ultimos dias.
Eu e o meu "amigo" Malboro estamos de relações cortadas para sempre.
Desde algum tempo atrás que eu pensava em diexar de fumar, vício que apanhei muito cedo por estupidez e necessidade de afirmação pessoal, e que tive durante 25 anos.
Fumar sempre me foi muito agradável, e durante todo este tempo o cigarro foi para mim uma companhia de muitos momentos. Alguns menos bons, e o cigarro servia de consolação, outros muito bons e o cigarro servia para festejar.
Lembro-me como se fosse hoje do dia em que nasceram a Maria e o João, e da companhia que me fizeram naquele tempo de espera na maternidade. Lembro me de muitas situações em que o cigarro foi realmente um complemento, uma grande companhia.
Agora muitos outros valores bem mais fortes se levantam. Era muito egoismo da minha parte continuar a ter este vício que por muito prazer me dê, poderia fazer sofrer tantas pessoas.
Só de imaginar o que seria deixar-vos, e do sofrimento que tudo isto vos poderia causar, não há dúvida que tenho que parar.
Para além disso há a vontade superior a tudo, que é a de ver-vos crescer ao meu lado, e acompanhar cada etapa das vossas vidas. Quero cumprir na integra o meu papel de pai, e dentro do possível ser um bom exemplo para vocês.
Nunca fumei à vossa frente, em casa fumava na varanda e às escondidas, quando passeavamos, ficava para trás, ou ia dar uma voltinha para poder fumar.
Curiosamente também nunca fumei à frente dos meus pais, o que eu não tinha que fazer para poder fumar um cigarrito, embora eles o soubessem desde sempre.
Uma das coisas que a miude me incomodava era o facto de andar na rua a fumar e ter que deitar ao chão a beata do cigarro, ou saber que estava a perturbar outras pessoas e fazer-me inconsciente do facto para puder continuar a ter o meu prazer do fumo.
No dia em que o João fez 3 anos de idade faleceu um colega e amigo do pai. Este colega já se encontrava doente há muito tempo (quase 2 anos) com um cancro nos pulmões. Morreu com 47 anos de idade, e deixou os filhos e a mulher numa altura em que muito precisavam dele, se bem que precisariam sempre, obviamente.
Já tinha começado a deixarde fumar havia alguns dias, mas este triste ipisódio vei reforçar as minhas convicções.
Para aprender não temos que necessáriamente errar, se formos minimamente inteligentes podemos aprender com o que também acontece aos outros, e os exemplos são tantos e tão diversificados que não deixam margem para dúvidas.
Tenho uma caixinha de pensos (nicotinell) em cima da mesa da sala, foram-me dados na empresa onde trabalho, mas como me conheço, e gosto de desafios, optei por deixar de fumar sem os utilizar, e até agora está a correr bem, já lá vão 18 dias.
Sei que ainda não posso cantar vitória, mas estou muito decidido, por isso acho que vou conseguir. As razões são importantes demais.
Esta foi a frase que finalmente me decidiu, chegada da escola a Maria disse-me:
-Pai tu não podes fumar, senão vais morrer, e eu não quero que tu morras, sabes, eu gosto muito de ti.
Embora fumando ás escondidas eles iam se apercebendo, que eu fumava, mas depois desta frase, acho que não poderei fumar mais.
Mil beijos , com hálito fresco.
Pai - 9:49 p.m.