segunda-feira, junho 02, 2008
Continuação do tema criança Índigo- auras
Auras
As auras são supostamente emanações de objectos, como se fossem energia. Dizem os paranormais que as cores das auras indicam personalidade das pessoas ou problemas que a pessoa tenha. Naturalmente, nada disto foi alguma vez comprovado, antes pelo contrário. Existem pessoas que dizem ser capazes de ver auras. Isto explica-se de várias formas, desde problemas em termos de percepção, enxaquecas, problemas no sistema visual ou dano neurológico. Qualquer um, mesmo sem ter estes problemas ou capacidades paranormais, pode ver auras: Basta olhar para um objecto ou pessoa, contra uma superfície clara, numa sala escura. O fenómeno deve-se a fatiga na retina e a outros factores ligados à percepção. Não a coisas do outro mundo. Uma suposta forma de registar auras é a chamada fotografia Kirlian. A fotografia é feita aplicando um campo eléctrico a um objecto numa placa fotográfica. Contudo, também isto é facilmente explicável: o que é registado é fruto da electricidade, pressão, humidade e temperatura. “As coisas vivas são…húmidas. Quando a electricidade entra no objecto vivo, produz uma área de gás ionizado à volta do objecto fotografado, assumindo que há humidade no objecto. Esta humidade é transferida para superfície do filme fotográfico e causa uma alteração no padrão da carga eléctrica no filme. Se a fotografia for tirada no vácuo, onde não há gás ionizado, não parece nenhuma imagem Kirlian”(3) ou seja, se a aura fosse uma energia paranormal, manter-se-ia mesmo no vácuo…
O Problema com as Crianças Índigo
Como vimos, as supostas características de crianças índigo são também as de crianças não índigo. Por outro lado, a ênfase dos defensores deste fenómeno tem a ver com as características de dificuldade de estar quieto, desafio à autoridade, serem crianças muito inquisidores, não conseguirem estar a fazer a mesma tarefa muito tempo. Estas características podem indiciar uma perturbação de hiperactividade. Nunca é fácil para um pai saber que o seu filho tem problemas a este nível, daí ser mais fácil acreditar que este afinal é “especial” e que tem um “tarefa” a desempenhar no mundo. O problema é que ao assumir que tem um filho índigo pode estar a prejudicá-lo, negando-lhe apoio especializado e científico baseado numa crença sem qualquer tipo de validade. Ao não conseguir aceitar a realidade pode estar a prejudicar ainda mais o filho. Para além disso, ao que parece as supostas crianças índigo não devem ser disciplinadas…Ora isto também é perigoso. A educação faz-se de amor, mas também de regras e de respeito pela autoridade. Um filho que não tem culpa pelo que fez, que tanto se lhe faz se o pai vai ralhar com ele ou não, tem dificuldade em funcionar em sociedade, que, quer queiramos ou não, tem regras e hierarquias.
Pode parecer mais interessante pensar que uma pessoa que ouve Deus a falar com ele é um profeta e não uma pessoa com problemas psiquiátricos. Pode parecer mais reconfortante pensar que um filho é uma criança índigo e não uma criança com um problema de hiperactividade. A questão é que o podemos prejudicar ou ajudar, consoante acreditamos no que nos diz o defensor dos índigos ou o médico…
Referências:
(1) http://skepdic.com/indigo.html
(2) http://www.indigochild.com
(3) http://skepdic.com/auras.html
Foi uma curiosidade esclarecida, com um agradecimento ao Dr.Victor Silva.
Pai - 12:35 a.m.