segunda-feira, março 19, 2018
Ribeirão Musical-Orquestra Sinfónica do Ave-take2
Depois do sucesso alcançado com a apresentação pública, tem-nos chegado imensas solicitações, quer para actuações quer para entrevistas, etc.
Resolvi aceitar o desafio do Alta Roda, jornal da Continental e do Jornal A nossa terra, que é o jornal local. E sem grande jeito mas com alguma coragem lá fiz a entrevista, e ficou mais ou menos assim:
Em primeiro lugar queria agradecer o convite para esta entrevista, dizer-lhe que me sinto muito honrado por tal reconhecimento. Aceitei o desafio não em meu nome pessoal, pois não me sinto individualmente merecedor, mas sim em nome da Ribeirão Musical, um projeto que envolve muitas pessoas e sem a contribuição delas eu não estaria aqui.
- Apresentação de Eduardo Vale (naturalidade, formação, curriculum, etc)
Chamo-me Eduardo João Alves do Vale, nasci em Angola numa cidade que atualmente se chama Lubango. Quando eu nasci chamava-se Sá da Bandeira e era Portugal, isto no ano de 1969, (ano de Woodstock)
Depois de Angola vivi uns anos em Africa do Sul e só mais tarde vim para Portugal, tinha já 11 anos de idade e muitas memórias inesquecíveis.
Vivo em Ribeirão há 20 anos, sou casado e tenho 2 filhos, a Maria (violinista) e o João (pianista/percussionista). Por questões profissionais adotei Ribeirão para viver, hoje sinto-me Ribeirense tal é a participação cívica em que estou envolvido.
Trabalho na Continental Mabor há cerca de 24 anos, comecei como trabalhador temporário, passei por várias áreas do processo, hoje sou técnico no departamento de industrialização do produto. Sou responsável por matérias-primas e compostos experimentais.
Embora trabalhando na maior empresa da região e conhecendo muitas pessoas, nos primeiros anos não me sentia muito integrado na sociedade local.
Por motivos de logística familiar os meus filhos fizeram primeiro ciclo numa outra localidade, esse facto atrasou a minha participação cívica aqui na escola.
Quando os meus filhos começaram a frequentar a escola Básica de Ribeirão encontrei no associativismo uma boa forma de me integrar, dar um bom exemplo de cidadania aos meus filhos, e com isso poder ajudar a melhorar a vida deles e da comunidade em geral. Desde então tenho conhecido pessoas incríveis, entusiastas, solidários, altruístas sem contrapartida que não seja a realização pessoal de fazer o bem. Tenho a sorte de poder contar com eles também neste projeto, o Manuel Carlos (Salgado) que é meu presidente na associação de pais e aqui meu vice-presidente, tem uma capacidade de trabalho e um coração tão grande como ele próprio. O Ilídio que já não tendo filhos na escola não falta a uma reunião e aqui é o tesoureiro, das pessoas mais amigas e prestáveis que algum dia conheci. O Domingos Salgado que me acompanha em todos os ensaios da Orquestra, sempre disponível para ajudar. O Guerra que representa Fradelos como ninguém mas que aqui não mede esforços é já foi eleito como o nosso técnico de som. O Joaquim Cruz o Nelson Paiva, o João Costa a Professora Cristina, o professor Filipe, mesmo não participando muito nas reuniões, são pessoas disponíveis para ajudar quando é preciso. E aqui fica um agradecimento muito sentido a todos eles.
Ainda temos a sorte de ter como presidente da assembleia geral o Dr. Leonel Rocha, melhor conselheiro não poderíamos arranjar dada a sua grande experiência e disponibilidade.
E não me poderia esquecer da Magda, secretária da direção, entusiasta com um sentido critico construtivo apurado, e que normalmente faz a censura da comunicação com o exterior.
Desta vez não a consultei, sei que vou ouvir das boas durante algum tempo, mas como o convite foi pessoal achei que poderia falar um pouco destas pessoas, que estão anónimas, mas que sem elas eu não conseguiria levar o projeto onde pensamos que ele pode chegar.
Voltando a mim,atualmente sou vice-presidente da associação de pais da escola básica de Ribeirão, presidente da assembleia geral da escola secundária D. Sancho, delegados das duas turmas, representante dos pais para o projeto de avaliação escolar da Escola Básica de Ribeirão, cofundador do clube federado de Xadrez de Ribeirão, e agora presidente da Direção da Ribeirão Musical.
- Quando nasce a Orquestra Sinfónica - Ribeirão Musical?
A ideia da Orquestra surgiu durante um reunião da associação de pais da Escola Básica de Ribeirão e o vereador da cultura da camara de Famalicão. Estava eu como vice-presidente, o Manuel Fernandes como presidente da associação de pais e o Vereador da Cultura Dr. Leonel Rocha.
Nesse dia apresentamos várias ideias de projetos que a associação tinha previsto para os anos letivos de 2016 |2017.
O próprio vereador da Cultura levado pelo nosso entusiasmo, referiu como exemplo, que era pena termos tantos miúdos a aprender música e não tínhamos uma banda de música onde eles pudessem tocar.
Quando saímos da reunião, estávamos eufóricos coma ideia, só que ao invés da banda filarmónica o que vulgarmente se chama uma banda de música, concordamos em fundar uma Orquestra Sinfónica. Desta forma não excluíamos ninguém, se fosse uma banda filarmónica não incluíamos os instrumentos de cordas.
- Qual foi o mote para o seu aparecimento?
Constatamos que todos os anos saía pelo menos uma turma do ensino articulado só em Ribeirão. Estes alunos no final do nono ano acabam com o 5 grau de música. Durante 5 anos tiveram uma manhã e uma tarde por semana completamente dedicados à música, mais 3 dias de estágios no final de cada período, ainda todas as audições e imensas horas de preparação em casa. De referir também o elevado preço que os pais pagaram pelos instrumentos e que não havendo um projeto de continuação, na sua grande maioria acaba por abandonar.
E foi com esta motivação que se foi amadurecendo a ideia, até que em Maio de 2017 deu início de atividade a Ribeirão Musical-sociedade artística e musical. Desta associação nasce como seu primeiro projeto a Orquestra Sinfónica do Ave, que se pretende venha a ser uma orquestra regional, que aceita músicos de todas as proveniências, que tem como sócios fundadores as juntas de freguesia de Fradelos Lousado, Vilarinho e Ribeirão.
Gostaria de referir que o nome Orquestra Sinfónica do Ave, foi da autoria do Monsenhor Joaquim, socio fundador que muito nos honra com a sua presença e boas ideias nas assembleias gerais. Neste caso o nome serviu para agregar de uma forma mais justa as várias freguesias limítrofes.
- Com quantos elementos teve inicio? Quantos são atualmente?
Numa 1º convocatória para angariação de músicos apareceram cerca de 50 músicos.
No último concerto de apresentação pública tivemos 52 músicos, mas prevemos ainda um crescimento gradual. Existe um grande compromisso da direção com os músicos, mas também com os seus encarregados de educação pela confiança que em nós depositaram desde o primeiro momento.
Atualmente temos 1 professores de música e maestro dedicado à orquestra, fazemos ensaios no salão paroquial de Ribeirão, aos Sábados das 21h às 23h.
Monsenhor Joaquim pároco de Ribeirão cede gentilmente as instalações para que ali possamos fazer os ensaios até conseguirmos instalações próprias.
- Quem poderá fazer parte deste projecto? (perfil, formação, idade dos músicos)
Para pertencer à Orquestra Sinfónica do Ave basta ser músico, saber ler uma pauta e tocar um instrumento, não definimos idades nem grau específico de aprendizagem. A Ribeirão Musical pretende dar oportunidade a todos aqueles que queiram partilhar os seus conhecimentos musicais com a comunidade.
- Planos/atuações a curto prazo
A curto prazo queremos levar a Fradelos , Vilarinho e Lousado, um concerto idêntico aquele que assistimos em Ribeirão. A ideia é utilizar o grupo coral de cada freguesia, vermos se podemos fazer o mesmo reportório ou se necessitamos de fazer algumas alterações. Gostaríamos de até finais de Abril ter este compromisso resolvido.
Estamos já a preparar novos temas para novos concertos, se correr como perspetivamos, será apresentado ao Publico nas festas da Vila de Ribeirão, será uma grande surpresa, e um espetáculo surpreendente.
- Qual o impacto que está a ter junto da comunidade?
Os elogios foram incríveis. As redes sociais não param de circular as fotos e os vídeos do concerto.
Nós preparamos com muito cuidado toda a organização. Eu assisto a todos os ensaios, sabia que iria correr bem, só não esperava tanta emoção e elogios tão calorosos. Ver o público a aplaudir de pé, a Igreja completamente cheia, deixou-nos de coração cheio.
Estamos muito felizes com o resultado da apresentação pública, e muitíssimo orgulhosos dos nossos músicos e maestro.
- Uma mensagem final
Toda a gente sabe que a música ajuda na concentração, que os alunos que estudam música conseguem melhores resultados especialmente na matemática, que ajuda imenso no raciocínio lógico, há imensos estudos que comprovam estes factos.
A tudo isso uma orquestra acrescenta o trabalho em equipa, a entreajuda, o respeito pelo próximo o convívio, uma constante aprendizagem e ao mesmo tempo partilha de conhecimentos.
E depois vem os concertos, a alegria que podemos proporcionar a todos aqueles que nos veem e ouvem.
Estamos recetivos a receber novos músicos, esta é uma boa altura para se juntarem a nós, estamos a começar a preparar novos temas, quem se juntar agora apanha o início dos ensaios.
No final do concerto como Presidente da Direção sabia que tinha de fazer um discurso, ainda bem que a censura (Magda) o encurtou bastante, levava um discurso baseado em agradecimentos, muito defensivo para evitar emoções, mas no final quando tive de agradecer aos músicos emocionei-me e tive mesmo de parar uns segundos para continuar. Foi um dia inesquecível, um dia muito feliz na minha vida.
Pai - 7:28 p.m.