sábado, abril 24, 2021
Para mais tarde contarem aos vossos filhos.
Todos os anos os papás do Martim levavam-no de comboio à avó para passar as férias de verão e eles voltavam para casa no dia seguinte. Um dia a criança disse aos pais: ′′ Já estou crescido, posso ir sozinho para casa da avó?". Depois de uma breve discussão, os pais aceitaram. Eles, parados, esperando a saída do comboio, despediram-se do filho dando-lhe algumas dicas pela janela, enquanto o Martim lhes repetia: ′′ Eu sei, já me disseram isso mais de mil vezes ". No momento em que o comboio já estava prestes a sair, o pai murmurou ao ouvido da criança: ′′ Filho, se te sentires mal ou inseguro, isto é para Ti !". E colocou algo no bolso dele. Agora o Martim está sozinho, sentado no comboio como queria, sem os seus pais pela primeira vez. Admira a paisagem pela janela, ao seu redor alguns desconhecidos empurram-se, fazem muito barulho. Eles entram e saem da carruagem. O supervisor faz alguns comentários sobre o facto dele estar sozinho. Uma pessoa olhou para ele com olhos de tristeza. O Martim está agora entindo-se mal. A cada minuto que passa vai ficando com medo. Baixou a cabeça e sente-se encurralado e sozinho, com lágrimas nos olhos. Então lembra-se que o pai dele lhe colocou algo no bolso. Tremendo, procurou o que o pai lhe colocou. Ao encontrar um pedaço de papel leu-o. Nele está escrito: ′′ Filho, estou na última carruagem!". Assim é a vida. Nós devemos deixar os nossos filhos ir embora. Nós devemos confiar neles. Mas nós estaremos sempre na última carruagem, vigiando, caso eles tenham medo ou caso eles encontrem obstáculos e não saibam o que fazer. Temos que estar perto deles, enquanto ainda estivermos vivos. Um filho precisará sempre dos seus pais.
Pai - 9:03 p.m.